A Batalha Redentora
Hoje é dia 15 de junho de 2007 e, curiosamente, vivo uma dupla aflição. Minha vida se divide entre duas angústias sem tamanho: o final de um mestrado, levado muito mais na base da garra e da luta do que do cientificismo acadêmico propriamente dito; e a final da Libertadores da América, onde meu time é muito limitado, mas possui como principal virtude a determinação e o apoio incondicional de sua louca torcida. Como não quero parecer oportunista, já deixo registrado que acredito nas duas conquistas.A redação final da dissertação está quase pronta. O juiz levantou a placa mostrando que haverá 15 minutos de acréscimos. Já estou nos 55 do segundo tempo e ainda me falta um gol. Preciso escrever sobre Kant, para mostrar que eu “mereço” o título acadêmico em jogo. Não gosto de Kant, mas jogarei pelo regulamento.
Acredito que o que se faz na academia não é filosofia, mas quem sou eu para discordar daqueles que detém todo o poder simbólico? Quem sou eu para defender a idéia de que o cientista de verdade deve buscar resultados úteis para a sua sociedade?
Para que serve a academia, senão para realizar uma busca individual e egoísta? Porque não se julga uma tese de acordo com a sua preocupação em realizar mudanças efetivas no mundo onde está inserida? Porque a ciência tem que ser considerada como uma coisa alheia ao mundo real? Onde está a responsabilidade?
Meu trabalho não está de todo ruim, mas certamente receberá duras críticas da banca examinadora. Talvez o título escape das minhas mãos nestes minutos finais, mas acho que tudo dará certo. Já o Grêmio, vai começar o jogo perdendo por três a zero. O adversário é o mais qualificado dentre todos os adversários possíveis. Mas ninguém duvida do tricolor.
Mais uma vez, eu e o Grêmio caminhamos juntos para uma decisão. A maior de todas elas. O momento mais importante de todos. A hora de dar a vida, de apoiar incondicionalmente e buscar a qualquer preço uma vitória. Vencer ou vencer. Seria a redenção!
Mais do que nunca, temos que cantar. Cantar até a voz se acabar.
FORÇA GRÊMIO!
