Lara, o craque imortal...
Depois de tudo o que já se falou, tudo o que já se escreveu, fica meio difícil ter alguma coisa nova a declarar sobre o que aconteceu sábado em Recife, na - agora mundialmente famosa – “Batalha dos Aflitos”... Difícil porque até aqueles gremistas que nunca foram no Monumental, ou mesmo torcedores de outros clubes já falaram, gritaram, cantaram, escreveram ou comentaram quase tudo o que se podia sobre o ocorrido...O que dizer então? Eu que fui em todos os jogos do Grêmio em casa e assisti a todos fora, certamente teria algum comentário, alguma observação inédita a fazer... Mas não tenho. Acho, inclusive, que tudo o que se está a falar é mentira, fruto de uma grande alucinação criada pelo inconsciente coletivo. Devido à grandeza do Grêmio, à sua história de pelejas indescritíveis pelo mundo afora, o país inteiro se recusou a acreditar que fosse acontecer um desfecho tão dramático e propagou uma onda de pensamento tão forte, mas tão forte, que acabamos criando um epílogo imaginário à altura da tradição deste clube de futebol que hoje estamos a contemplar. Um final tão surpreendente que nem mesmo o mais otimista dos torcedores poderia acreditar. Daqueles que o escritor mais cara-de-pau não teria coragem de dar para seu conto, seu romance.
Tipo aqueles filmes de final surpreendente. Daqueles que chega a dar até raiva do diretor, que faz todos de palhaço durante o filme inteiro... Pois é, por mais que o jogo do Grêmio fosse um filme e me fosse contado o final antecipadamente, eu dificilmente acreditaria. Não tem como acreditar! Pensem só: seis na linha e um no gol, na casa do adversário, lotada. O adversário precisando de apenas um gol para voltar para a primeira divisão, depois de onze anos de amarguras. O jogo mais importante da história do Náutico.
Um pênalti contra, um juiz prometido, uma polícia violenta. Uma taça sendo erguida pelo Santa Cruz. Pernambuco em festa. Uma corrente vermelha aguardando o chute, aos sessenta minutos do segundo tempo. Uma história recente de escândalos no futebol, dentro e fora dos gramados. Um manto sagrado em campo.
Em todos os momentos decisivos, o manto tricolor é o maior refúgio da torcida gremista. Nada pode ser maior, nem mais sagrado! Um alento para qualquer coração aflito. Um porto seguro para qualquer preocupação, qualquer hesitação. Nada pode ser maior!
Lara, o craque imortal, não pôde de tanta emoção. Ele saiu de onde estava e invadiu o corpo do Galato. Isso mesmo! Lara encarnou no Galato, acreditem ou não! Lara pegou o pênalti!
O jornal inglês Times chegou a chamar o Grêmio de “Fight Club” (se referindo ao filme Clube da Luta). Parece que eles sabem que enquanto estiver em campo o manto tricolor, a esperança existe! Quem veste essa camisa, sua sangue, transpira garra e exala paixão! Somos assim, diferentes. Nossa torcida é diferente, nosso time também. Nunca desistimos. Nunca nos entregamos. Nunca colocaremos narizinho de palhaço.
Estou quase acreditando no que aconteceu. Se for verdade, acho que a direção do Grêmio deveria mandar bordar mais uma estrela na camiseta, de cor azul celeste, simbolizando a maior batalha da nossa história.
Obrigado Grêmio!

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