13.10.05

Um pulo por um mundo melhor

Acreditem se quiserem, mas de acordo com as pesquisas do alemão Hans Niesward e sua equipe, do departamento de Física Gravitacional da Universidade de Munique, a humanidade pode tirar a Terra da sua órbita e faze-la atingir uma mais externa, que reduziria os efeitos do aquecimento global, estenderia a duração de um dia e que criaria um clima mais homogêneo no planeta. Basta que, no dia 20 de julho de 2006, cerca de 600 milhões de pessoas que vivem no hemisfério oeste dêem um pulo simultâneo, às 11:39:13 GMT (Horário de Brasília - 08:39:13). Segundo os cientistas, os efeitos do pulo (de acordo com o ponto em que a Terra estará em sua atual órbita no momento) podem fazer o nosso planeta atingir sua nova órbita, mais afastada do sol. Isso faria com que um ano (uma volta da Terra em torno do sol) seja mais demorado, sugerindo uma alteração também na duração de cada dia.

Mais de 302.782.245 de pessoas já registraram-se na campanha, que está exposta no site www.worldjumpday.org, onde podemos todos registrar-nos, para receber o aviso, por email, no dia “D”. O melhor de tudo é que ninguém perde nada com o “pulo”. Não há nenhum interesse econômico direto em jogo, aparentemente.

Do ponto-de-vista científico, as afirmações só podem presumir uma probabilidade de isso ocorrer. Pode ser que, no dia marcado, fiquemos todos pulando como tolos, em prol de uma mesma causa, universal, em vão. Imagino a cena: 600 milhões de pessoas pulando feito crianças, porque um alemão doido falou que ia melhorar pra todo mundo. Aí poderemos ver quem está do nosso lado. Já imaginaram eu e o Geoge Bush pulando juntos, por um mundo melhor? O policial militar, o presidiário, o empresário, o sem-terra... Todos pulando. Seria uma forma de criarmos uma identidade. “Ôôôô... Somos terráquios!!!” “Dále, dále, dále, dále Terra!!!”... Imaginem: Quem mora no outro hemisfério vem até aqui, só para pular. Já pensaram nisso? Que loucura! Gremistas e colorados abraçados, pulando juntos. O patrão e o empregado, o motorista de ônibus e os seus passageiros a pular na hora certa, ajudando a mudar o mundo. Não tenho dúvida de que a energia seria tão forte, mas tão forte, que poderemos até acreditar que o mundo realmente mudou de órbita. E isso pode fazer com que ele mude mesmo. De qualquer forma, independentemente dos resultados práticos a que se chegar, quem pular estará admitindo que deseja um mundo melhor para viver. Ou simplesmente acredita, talvez inocentemente, que essas horas a serem "ganhas" serão usadas para o descanso, ou para o lazer. Mas, certamente, haverão os que pleitearão uma mais longa jornada de trabalho, posto que não é muito "saudável" para o "sistema" que a pessoa fique muito tempo "desocupada". Permanecendo mais tempo em casa, talvez o povo brasileiro possa "enjoar" da Rede Globo e começar a ler livros, por exemplo... Acho pouco provável, mas não custa ter esperança.

Poderemos começar por aí, pulando. A partir deste pulo, podemos buscar outras coisas para marcar outros valores. Por exemplo, estabelecemos que para um mundo melhor, temos que fazer alguma coisa a cada dia, a cada momento. Olhemos os outros a fazer e façamos tudo em conjunto, porque isso mudará o mundo. Não precisamos aumentar o número de dias no ano, mas diminuir os dias passados no trabalho, por exemplo. Racionalizemos recursos, façamos tudo pensando na própria existência (não necessariamente em um sentido individualista), na própria vida, em seu sentido mais amplo, diariamente. Ou então, marcamos um dia e uma hora para fazermos o bem para o mundo... Talvez funcione mais... Pulemos!

Paulo