A Geral enlouqueceu
Dále!
Y dále Grêmio!
Y dále Grêmio!
Y dáleôôôôô...”
Acabo de chegar, borracho e sem nenhum sinal de voz, do jogo do tricolor contra o Santo André. Poderia ficar horas aqui, apenas falando sobre o que aconteceu no monumental esta noite... Poderia falar sobre o fato de o tricolor ter entrado em campo com quase todos os reservas... Poderia ficar aqui reclamando do tal do Jacózinho, que, além de não jogar nada, acha que é o dono do time... Poderia, mas acho que esses dados foram apenas detalhes, contingentes, do que aconteceu.
Todavia, algumas pequenas considerações sobre a partida se fazem necessárias, pois são de um nível mais profundo. Por exemplo, nunca vi tantas gatinhas num jogo de futebol! Muitas mulheres pulando e cantando “somos campeões do mundo... da libertadores também...” Tem um trapo muito grande escrito “Las Geraldinas” no nosso estádio, sabiam? Eu ainda não sabia desse movimento. Vocês precisavam ver as gurias gritando e puxando as músicas... Pulando e gesticulando, como os homens mais fanáticos...
O Grêmio perdeu por dois a zero e a banda, que não se abala com nada mais, reforçada pela nova ala feminina, ficou cerca de vinte minutos depois do jogo cantando no estádio. Emocionante! No meio do jogo, rolou um tumulto contra a polícia, que saiu correndo, diante da avalanche de tricolores loucos, que foram, literalmente, “pra cima dos home”. Coisa de louco.
Depois de sair do estádio (já vazio, com as luzes se apagando, mas ainda cheio de malucos cantando na Geral), fomos para o boteco que já está virando tradicional entre meus amigos. Já até conheço os bebuns de lá, que sempre me saúdam com uma cerveja, na parceria. Cantei até minha voz se acabar, no sentido mais literal da palavra.
Agora, como não posso falar, escrevo. Escrevo para meus amigos que estão longe, mas também para eventuais leitores do meu “blog”. Escrevo pois não me resta mais nada hoje, senão desabafar, contar o que está acontecendo na minha vida, por mais chato que pareça. Uma viagem envolve muitas emoções e eu acho que vivi bastante das emoções relacionadas à viagem do Cadú, motivo pelo qual estou agora sentindo as seqüelas da tal da síndrome de quem fica. Fico, mas não definitivamente. Aliás, acho que nada pode ser tido por definitivo mais nessa vida.
Bom, infelizmente, não estou numa praia agora. Tampouco roubando beijos de mineirinhas de dezesseis anos. Estou bêbado, sem voz e sem dinheiro. Acho que devo descansar. Quanto aos meus amigos, desejo-lhes o mais profundo e verdadeiro amor. Desejo toda a paz e harmonia para que vocês realizem tudo o que acharem necessário.
Em breve, estarei por aí, mesmo que seja de visita.
“Vamô vamô tricolor...
Hoje eu vim te apoiar
Para te ver campeão
Para te ver ganhar!”
Geral do Grêmio
Paulo

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