Carta sincera à minha pessoa
São sete e seis da manhã e eu acabo de sentar à frente do computador, para escrever-lhes um relato dos momentos que estou vivendo. Um breve relato, é verdade, pois ainda me sinto tímido diante do super computador que comprei, ou melhor, ganhei de presente de formatura, de meu avô. Na verdade, tudo na minha vida está confuso agora. Não sei o que me oprime, se é a imponência do aparelho, ou se é a minha covardia em abrir-me, em permitir-me diante das coisas que se me apresentam nesta vida.
Vou começar pelo começo. Sou uma pessoa sincera. Ou não. Não sei se posso afirmar nada mais. Mas, em todo o caso, considere-me uma pessoa sincera. Mas acredite em mim. Acredite tanto, para que eu possa também acreditar.
Na realidade, neste momento da minha vida, estou buscando ser, antes de tudo, sincero. Como uma cláusula pétrea na constituição da minha existência. Um princípio intocável, forte e que tenha o objetivo de ser universal. Pois é, na verdade não sei se não aceitaria uma oferta trilionária para corrompê-lo, se com o dinheiro da minha corrupção, eu pudesse resolver alguns importantes problemas do meu planeta, a Terra. Mesmo assim, o tema “corrupção” já está muito esgotado nos dias de hoje.
Jornalistas, políticos, empresários, operários... Não sei quem é que tem a melhor, mas todos tem uma concepção própria da palavra “corrupção”. Cada um tem seus próprios conceitos, suas próprias definições de o que isso significa. Não tentarei convencê-los de meu ponto-de-vista, pois é apenas o meu. Assim como não espero que venham tentar me convencer de nada. Apenas troco com as pessoas. Não imponho nada, mas não venha me impor! Portanto, seguirei apenas meu discurso com a lógica da sinceridade. É tão simples. Algo que se resume em uma palavra, mas significa infinitas maneiras de agir. Aprofundamos nosso pensamento em detalhes e esquecemos do principal, que pode às vezes até, ser resumido em uma palavra, como é o caso da que escolhi para mim. Não que não possas pensar diferente. Como já falei, apenas falo a minha opinião, e quem quiser, que as leia. Senão, fale mal de mim mesmo, mesmo sem me conhecer.
Quando falo em conhecer, falo em trocar, jamais sugar. Falo em somar e acho que os resultados devem ser bons para os dois (ou mais) lados, da mesma forma. Opressor e oprimido juntos, buscando um entendimento mútuo, pois sabem pertencer a um mesmo ser: Eu. Tenho esses dois lados dentro de mim. Acho, na verdade, que todos temos, mas seria muita pretensão de minha parte achar que posso saber o que se passa na sua cabeça, meu senhor. Peço desculpas, desde logo. Se me conheces, sabes que não quero nunca ofendê-lo, senhor.
O chamo de senhor, assim como chamo o colega, o vizinho (mesmo o que não gosta de mim). Como é o caso do síndico do meu prédio, por exemplo. Ele me odeia, mas acho que nunca mais devo perder a elegância com ele. Pois ele, como a maioria das pessoas que conheço, “é de lua”. A cada dia, parece um ser diferente. Mesmo que me odeie, acho que isso não é culpa só dele, talvez até seja um pouco minha também, mas não sei, não importa. Minha sinceridade não tem valor para ele, que, certamente, acredita em um valor diferente do meu. Talvez seja o do “respeito”. Se fosse esse o caso, gostaria muito de dizer a ele que não precisa se preocupar. Sempre o respeitarei, dentro da minha sinceridade. É nisso que preciso me firmar. Na minha sinceridade. Seria a minha sinceridade variável? Não posso responder. Tenho apenas que acreditar nela. É a minha maior arma para lutar por qualquer coisa nesta vida. Mesmo que seja variável.
Talvez seja como parar de fumar. Tentei muitas vezes parar de fumar, todas em vão. Resolvi começar a pensar apenas no lado prático disso e encarei diante de minhas possibilidades de esclarecimento, uma boa possibilidade. A de pensar no dia da hoje, o mais importante da minha vida. Não que eu não possa vir a ser visto qualquer dia desses com um cigarro na mão. É evidente que não pretendo voltar a fumar jamais, mas sei que um dia posso acabar por fazê-lo. É que minha sinceridade pode vir a ser flexível, apesar de que me apoio nela para tudo, desde que seja belo.
Será que, por isso, a beleza deve vir antes da sinceridade na minha constituição? Acho que não. Mas não deixa de ser a mesma discussão. A beleza também é variável, flexível, pelo menos na minha opinião. Variável entre diferentes pessoas, mas também, faz muita força contraditória dentro de um só indivíduo, desde que ele esteja vivo. Afinal de contas, o que é beleza? Será que beleza é aquilo que fomos ensinados a acreditar que é a beleza, com base na vida que levamos, na realidade dos meios de comunicação dos locais onde vivemos ou será ela uma coisa abstrata, relativa e linda. O que seria a beleza?
Sem me prender demais em divagações de boteco, aproveitarei este fim de noite para tentar sair do mundo das idéias e entrar na vida prática, a da vida considerada “real”. Não que a vida “real” não siga princípios filosóficos, na minha opinião (como já falei, acredito na ditadura da sinceridade. Ou melhor, me esforço para acreditar, mas enfim...). A vida é também material, de carne e osso, afinal de contas. Ela é doce e amarga, cheia ou vazia. Depende.
É justamente desse “depende” que depende a minha vida. Ele me cerca e grita: “daleôôôô”, como num jogo do tricolor. Sem parar. É como se eu fosse aquela imprevisibilidade que fez Einstein afirmar que tudo é relativo. Mesmo que eu acredite na sinceridade, ela pode manifestar-se de maneiras diferentes em mim, isso eu já sei. Até porque admito que posso mudar. Sempre poderei mudar! E deverei me deixar ser mudado. Mas não deixo de acreditar na sinceridade, de qualquer forma. Assim como tenho medo de algumas mudanças. Se eu acreditasse na ditadura da mudança, poderia ser minha vida melhor do que acreditando na minha sinceridade?
Será que o espírito da mudança é o que me faria superar o da sinceridade? Acho que não, embora provavelmente o ajude, o liberte. A sinceridade é livre, embora eu acredite que ninguém é inocente nessa história toda. Nem mesmo a minha querida sinceridade. Mas, enfim, a mudança tem que ser sempre sincera, afinal de contas, mesmo que em última instância, é ela que entra em contato com tudo que é “real”, que é o que embasa e contamina nossas idéias. O momento é sempre em última instância. A derradeira, porém eterna. Antes apenas é previsão. Depois é apenas versão. Nada pode nunca ser tão real quanto o momento. Será que o momento requer mais sinceridade ou mudança? Prefiro acreditar na sinceridade, mas sei que muitos dos senhores, após pensar um pouco mais sobre o assunto, podem acabar escolhendo a mudança. Eu mesmo posso fazer isso um dia. Mas hoje, prefiro acreditar na sinceridade, estou apaixonado por ela, que está viva e latente em mim.
Por isso, tanto quero falar-lhes sobre o meu momento. Mas os senhores, certamente, se aborreceriam e não conseguiriam escutar-me até o final, o que, na minha opinião, se deveria, única e exclusivamente, à algum preconceito seu, puro medo seu. Medo, ao mesmo tempo de perder tempo lendo coisas que não lhe acrescentarão nada na lógica em que vivemos, a lógica do capital, a do medo de viver, simplesmente viver. Talvez seja medo de encontrar alguma coisa em comum com esse meu momento, que, com certeza, pode parecer-lhe um momento negro da minha vida, mas lhes garanto estar sob controle. Pelo menos é nisso que eu acredito, sinceramente, agora. Ou melhor, quero acreditar, pois me dizem sempre que eu posso perder, assim como posso ganhar.
Ganhando ou perdendo, posso estar passando toda a minha vida entre vitórias e derrotas, isto ou aquilo, uma coisa ou outra. Não necessariamente bem ou mal, embora seja muito bom vencer e por vezes humilhante perder. A própria vitória pode ser humilhante, depende das regras do jogo. Se quisermos falar em jogo, certamente teremos que começar estabelecendo as regras. Todos somos jogadores e merecemos o direito de influenciar nas normas. Não é mesmo? O que seria, então a solidariedade? Ou o livre-arbítrio? Seriam normas absolutas, uma sobre a outra, ou deveriam interagir? Onde a minha sinceridade entraria aqui? Que hierarquia teria ela (se é que se poderia comparar) diante da ditadura do interesse, que norteia as regras do “jogo”, qualquer que seja ele. Tento aqui, meio desacreditado, é verdade, sustentar a minha tão batalhada, distorcida e maravilhosa sinceridade.
É aí que eu vou pedir-lhes muita atenção para quando eu, mesmo sofrendo para preservar uma idéia de sinceridade, fugindo das armadilhas que ainda nem sequer me foram armadas, para dar sentido ao meu discurso, à minha própria existência, cheguei à conclusão de que mesmo a minha própria sinceridade é relativa, como um telefone que toca e já “sei” que é determinada pessoa, pois esta combinou comigo inclusive um horário para telefonar e estou apenas esperando telefonemas de sua parte. Entretanto, ao dizer: “alô”, eu, mesmo sem saber, acreditei na possibilidade de a ligação ter sido feita por uma outra pessoa, alheia à toda esta história. Apenas creio, acidentalmente, na possibilidade, mas quase nunca procuro compreendê-la. Muitas vezes, mesmo sem saber, torço por ela.
Torço pelo “São Randão”, diriam alguns amigos. Mas constatei que torço pelo “São Randão” – o santo das causas aleatórias – apenas quando estou sendo oprimido. Quando estou oprimindo, mesmo que desintencionalmente, acabo torcendo pelo dito “normal”, embora o “São Randão” sempre me tente muito. Por sinal, tenho passado muito tempo ultimamente com os meus amigos. Eles estão me ajudando a encarar este meu momento (ou fugir dele...), o qual, na realidade, é a razão de toda essa minha ladaínha, que ora vos apresento.
Hoje entendo que acredito muito na minha sinceridade, mas não quer dizer que nunca vá mudar de posicionamento, que eu não possa fazê-lo, quando entender necessário. Mesmo quando não puder entender nada. Ceder para a vida que se apresenta. Minha sinceridade apenas será corrompida se o preço que eu tiver de pagar for justo, diante de um só princípio, o da sinceridade...
Mas é uma árdua tarefa trazer a sinceridade para a vida real... Na realidade, é extremamente difícil sermos completamente coerentes com algum princípio, por todo o tempo... Pois todo o princípio, por mais belo que seja, ao virar dogma, se transforma em algo prejudicial e cego. Por isso, senhores, escolhi para a minha constituição um princípio aberto. Que não deixa de ser coerente, pois limita-se apenas nele mesmo.
Vou começar pelo começo. Sou uma pessoa sincera. Ou não. Não sei se posso afirmar nada mais. Mas, em todo o caso, considere-me uma pessoa sincera. Mas acredite em mim. Acredite tanto, para que eu possa também acreditar.
Na realidade, neste momento da minha vida, estou buscando ser, antes de tudo, sincero. Como uma cláusula pétrea na constituição da minha existência. Um princípio intocável, forte e que tenha o objetivo de ser universal. Pois é, na verdade não sei se não aceitaria uma oferta trilionária para corrompê-lo, se com o dinheiro da minha corrupção, eu pudesse resolver alguns importantes problemas do meu planeta, a Terra. Mesmo assim, o tema “corrupção” já está muito esgotado nos dias de hoje.
Jornalistas, políticos, empresários, operários... Não sei quem é que tem a melhor, mas todos tem uma concepção própria da palavra “corrupção”. Cada um tem seus próprios conceitos, suas próprias definições de o que isso significa. Não tentarei convencê-los de meu ponto-de-vista, pois é apenas o meu. Assim como não espero que venham tentar me convencer de nada. Apenas troco com as pessoas. Não imponho nada, mas não venha me impor! Portanto, seguirei apenas meu discurso com a lógica da sinceridade. É tão simples. Algo que se resume em uma palavra, mas significa infinitas maneiras de agir. Aprofundamos nosso pensamento em detalhes e esquecemos do principal, que pode às vezes até, ser resumido em uma palavra, como é o caso da que escolhi para mim. Não que não possas pensar diferente. Como já falei, apenas falo a minha opinião, e quem quiser, que as leia. Senão, fale mal de mim mesmo, mesmo sem me conhecer.
Quando falo em conhecer, falo em trocar, jamais sugar. Falo em somar e acho que os resultados devem ser bons para os dois (ou mais) lados, da mesma forma. Opressor e oprimido juntos, buscando um entendimento mútuo, pois sabem pertencer a um mesmo ser: Eu. Tenho esses dois lados dentro de mim. Acho, na verdade, que todos temos, mas seria muita pretensão de minha parte achar que posso saber o que se passa na sua cabeça, meu senhor. Peço desculpas, desde logo. Se me conheces, sabes que não quero nunca ofendê-lo, senhor.
O chamo de senhor, assim como chamo o colega, o vizinho (mesmo o que não gosta de mim). Como é o caso do síndico do meu prédio, por exemplo. Ele me odeia, mas acho que nunca mais devo perder a elegância com ele. Pois ele, como a maioria das pessoas que conheço, “é de lua”. A cada dia, parece um ser diferente. Mesmo que me odeie, acho que isso não é culpa só dele, talvez até seja um pouco minha também, mas não sei, não importa. Minha sinceridade não tem valor para ele, que, certamente, acredita em um valor diferente do meu. Talvez seja o do “respeito”. Se fosse esse o caso, gostaria muito de dizer a ele que não precisa se preocupar. Sempre o respeitarei, dentro da minha sinceridade. É nisso que preciso me firmar. Na minha sinceridade. Seria a minha sinceridade variável? Não posso responder. Tenho apenas que acreditar nela. É a minha maior arma para lutar por qualquer coisa nesta vida. Mesmo que seja variável.
Talvez seja como parar de fumar. Tentei muitas vezes parar de fumar, todas em vão. Resolvi começar a pensar apenas no lado prático disso e encarei diante de minhas possibilidades de esclarecimento, uma boa possibilidade. A de pensar no dia da hoje, o mais importante da minha vida. Não que eu não possa vir a ser visto qualquer dia desses com um cigarro na mão. É evidente que não pretendo voltar a fumar jamais, mas sei que um dia posso acabar por fazê-lo. É que minha sinceridade pode vir a ser flexível, apesar de que me apoio nela para tudo, desde que seja belo.
Será que, por isso, a beleza deve vir antes da sinceridade na minha constituição? Acho que não. Mas não deixa de ser a mesma discussão. A beleza também é variável, flexível, pelo menos na minha opinião. Variável entre diferentes pessoas, mas também, faz muita força contraditória dentro de um só indivíduo, desde que ele esteja vivo. Afinal de contas, o que é beleza? Será que beleza é aquilo que fomos ensinados a acreditar que é a beleza, com base na vida que levamos, na realidade dos meios de comunicação dos locais onde vivemos ou será ela uma coisa abstrata, relativa e linda. O que seria a beleza?
Sem me prender demais em divagações de boteco, aproveitarei este fim de noite para tentar sair do mundo das idéias e entrar na vida prática, a da vida considerada “real”. Não que a vida “real” não siga princípios filosóficos, na minha opinião (como já falei, acredito na ditadura da sinceridade. Ou melhor, me esforço para acreditar, mas enfim...). A vida é também material, de carne e osso, afinal de contas. Ela é doce e amarga, cheia ou vazia. Depende.
É justamente desse “depende” que depende a minha vida. Ele me cerca e grita: “daleôôôô”, como num jogo do tricolor. Sem parar. É como se eu fosse aquela imprevisibilidade que fez Einstein afirmar que tudo é relativo. Mesmo que eu acredite na sinceridade, ela pode manifestar-se de maneiras diferentes em mim, isso eu já sei. Até porque admito que posso mudar. Sempre poderei mudar! E deverei me deixar ser mudado. Mas não deixo de acreditar na sinceridade, de qualquer forma. Assim como tenho medo de algumas mudanças. Se eu acreditasse na ditadura da mudança, poderia ser minha vida melhor do que acreditando na minha sinceridade?
Será que o espírito da mudança é o que me faria superar o da sinceridade? Acho que não, embora provavelmente o ajude, o liberte. A sinceridade é livre, embora eu acredite que ninguém é inocente nessa história toda. Nem mesmo a minha querida sinceridade. Mas, enfim, a mudança tem que ser sempre sincera, afinal de contas, mesmo que em última instância, é ela que entra em contato com tudo que é “real”, que é o que embasa e contamina nossas idéias. O momento é sempre em última instância. A derradeira, porém eterna. Antes apenas é previsão. Depois é apenas versão. Nada pode nunca ser tão real quanto o momento. Será que o momento requer mais sinceridade ou mudança? Prefiro acreditar na sinceridade, mas sei que muitos dos senhores, após pensar um pouco mais sobre o assunto, podem acabar escolhendo a mudança. Eu mesmo posso fazer isso um dia. Mas hoje, prefiro acreditar na sinceridade, estou apaixonado por ela, que está viva e latente em mim.
Por isso, tanto quero falar-lhes sobre o meu momento. Mas os senhores, certamente, se aborreceriam e não conseguiriam escutar-me até o final, o que, na minha opinião, se deveria, única e exclusivamente, à algum preconceito seu, puro medo seu. Medo, ao mesmo tempo de perder tempo lendo coisas que não lhe acrescentarão nada na lógica em que vivemos, a lógica do capital, a do medo de viver, simplesmente viver. Talvez seja medo de encontrar alguma coisa em comum com esse meu momento, que, com certeza, pode parecer-lhe um momento negro da minha vida, mas lhes garanto estar sob controle. Pelo menos é nisso que eu acredito, sinceramente, agora. Ou melhor, quero acreditar, pois me dizem sempre que eu posso perder, assim como posso ganhar.
Ganhando ou perdendo, posso estar passando toda a minha vida entre vitórias e derrotas, isto ou aquilo, uma coisa ou outra. Não necessariamente bem ou mal, embora seja muito bom vencer e por vezes humilhante perder. A própria vitória pode ser humilhante, depende das regras do jogo. Se quisermos falar em jogo, certamente teremos que começar estabelecendo as regras. Todos somos jogadores e merecemos o direito de influenciar nas normas. Não é mesmo? O que seria, então a solidariedade? Ou o livre-arbítrio? Seriam normas absolutas, uma sobre a outra, ou deveriam interagir? Onde a minha sinceridade entraria aqui? Que hierarquia teria ela (se é que se poderia comparar) diante da ditadura do interesse, que norteia as regras do “jogo”, qualquer que seja ele. Tento aqui, meio desacreditado, é verdade, sustentar a minha tão batalhada, distorcida e maravilhosa sinceridade.
É aí que eu vou pedir-lhes muita atenção para quando eu, mesmo sofrendo para preservar uma idéia de sinceridade, fugindo das armadilhas que ainda nem sequer me foram armadas, para dar sentido ao meu discurso, à minha própria existência, cheguei à conclusão de que mesmo a minha própria sinceridade é relativa, como um telefone que toca e já “sei” que é determinada pessoa, pois esta combinou comigo inclusive um horário para telefonar e estou apenas esperando telefonemas de sua parte. Entretanto, ao dizer: “alô”, eu, mesmo sem saber, acreditei na possibilidade de a ligação ter sido feita por uma outra pessoa, alheia à toda esta história. Apenas creio, acidentalmente, na possibilidade, mas quase nunca procuro compreendê-la. Muitas vezes, mesmo sem saber, torço por ela.
Torço pelo “São Randão”, diriam alguns amigos. Mas constatei que torço pelo “São Randão” – o santo das causas aleatórias – apenas quando estou sendo oprimido. Quando estou oprimindo, mesmo que desintencionalmente, acabo torcendo pelo dito “normal”, embora o “São Randão” sempre me tente muito. Por sinal, tenho passado muito tempo ultimamente com os meus amigos. Eles estão me ajudando a encarar este meu momento (ou fugir dele...), o qual, na realidade, é a razão de toda essa minha ladaínha, que ora vos apresento.
Hoje entendo que acredito muito na minha sinceridade, mas não quer dizer que nunca vá mudar de posicionamento, que eu não possa fazê-lo, quando entender necessário. Mesmo quando não puder entender nada. Ceder para a vida que se apresenta. Minha sinceridade apenas será corrompida se o preço que eu tiver de pagar for justo, diante de um só princípio, o da sinceridade...
Mas é uma árdua tarefa trazer a sinceridade para a vida real... Na realidade, é extremamente difícil sermos completamente coerentes com algum princípio, por todo o tempo... Pois todo o princípio, por mais belo que seja, ao virar dogma, se transforma em algo prejudicial e cego. Por isso, senhores, escolhi para a minha constituição um princípio aberto. Que não deixa de ser coerente, pois limita-se apenas nele mesmo.
Mas enfim... O fato é que eu prefiro (e preciso) acreditar nisso! É o que me resta. Minha vulnerável sinceridade... E quanto ao senhor, não sei. Talvez o senhor seja normal e não se ocupe com essas questões de louco que acabo de trazer. Talvez até se identifique um pouco com tudo isso... De qualquer forma, saberei quem realmente me entendeu.
Saliento que ainda acredito num eventual contato sincero com o senhor, para, se possível, trocarmos algo, desde que seja bom para ambos.
Sinceramente,
Eu.
Porto Alegre, 11 de setembro de 2005.
Saliento que ainda acredito num eventual contato sincero com o senhor, para, se possível, trocarmos algo, desde que seja bom para ambos.
Sinceramente,
Eu.
Porto Alegre, 11 de setembro de 2005.

1 Comments:
Nussa isso foi bem profundo.
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